Um elástico aguenta ser esticado muitas vezes. Ele estica, solta e volta ao formato original, de novo e de novo, até o dia em que, sem aviso, já não volta do mesmo jeito, frouxo, sem a força de antes.
Com o estresse acontece algo parecido. A dúvida de muita gente é saber se está vivendo só uma fase corrida ou se o corpo já passou do ponto em que consegue voltar sozinho.
O estresse que ajuda
Estresse, em si, é uma resposta de adaptação. É a energia extra que aparece antes de uma apresentação ou na reta final de um projeto. Nessa medida, ele ajuda a dar conta.
O problema começa quando o desafio não termina nunca, e o corpo, que deveria esticar e voltar, passa a viver esticado.
As quatro fases
A psicóloga Marilda Lipp, da PUC-Campinas, referência nos estudos sobre estresse no Brasil, descreveu esse processo em quatro fases.
Na fase de alerta, o corpo reage ao desafio com energia e prontidão. É o estresse que motiva e, se a situação se resolve, tudo volta ao normal.
Na fase de resistência, o desafio continua e o organismo gasta muita energia tentando se adaptar. Aparecem o cansaço que insiste, os esquecimentos bobos do dia a dia e a paciência cada vez mais curta.
Na fase de quase-exaustão, as defesas começam a ceder. A pessoa oscila entre dias em que ainda dá conta e dias em que não consegue, e problemas de saúde começam a surgir.
Na fase de exaustão, o desgaste físico e emocional fica intenso e afeta várias áreas da vida ao mesmo tempo. É uma fase séria, e ainda assim tem volta, com o cuidado adequado.
Um termômetro simples
Uma pergunta ajuda a perceber onde você está: depois de um dia difícil, uma boa noite e um pouco de descanso ainda devolvem a sua energia? Quando a resposta é sim, o elástico ainda volta. Quando o descanso já não recupera, ou quando você sente que vive alternando entre aguentar e desmoronar, é sinal de que o estresse foi além de uma fase corrida.
Para saber com mais precisão, existe o próprio inventário criado por Lipp, aplicado por psicólogos numa avaliação.
Antes de o elástico ceder
Quanto mais cedo o estresse é cuidado, mais simples costuma ser o caminho de volta. Pausas reais ao longo do dia e limites para o que você assume fazem diferença ainda na fase de resistência.
Na psicoterapia, a gente investiga por que o seu corpo se acostumou a viver esticado e que pedaço dessa rotina dá para mexer. A hipnose entra ajudando o organismo a reaprender a soltar depois de cada esforço, que é exatamente o que um elástico saudável faz.
Leia também: Cansaço que o sono não cura pode ser burnout
Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?
Se você sente que vive esticada há tempo demais e o descanso já não devolve a sua energia, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.
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Referências bibliográficas
LIPP, M. E. N. Manual do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
MASLACH, C.; LEITER, M. P. Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry, v. 15, n. 2, p. 103-111, 2016.
MCEWEN, B. S. Physiology and neurobiology of stress and adaptation: central role of the brain. Physiological Reviews, v. 87, n. 3, p. 873-904, 2007.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Burn-out an “occupational phenomenon”: International Classification of Diseases. Geneva: WHO, 2019.






