Milton Erickson gostava de contar uma história sobre a sua infância na fazenda. Certa vez, o pai tentava levar um bezerro para dentro do celeiro puxando pela corda, e o animal fincava as patas no chão com toda a força. Quanto mais o pai puxava, mais o bezerro resistia. O menino observou a cena, foi até o bezerro e puxou o rabo na direção contrária. Resistindo ao menino, o bezerro entrou no celeiro por conta própria.
Anos depois, essa cena virou quase um símbolo do jeito como Erickson trabalhava: em vez de brigar com a resistência, usar a força dela a favor da pessoa.
Querer e não querer ao mesmo tempo
Quem já tentou mudar algo importante conhece essa sensação. Uma parte de você quer muito, enquanto outra encontra sempre um bom motivo para adiar. Os psicólogos William Miller e Stephen Rollnick, criadores da entrevista motivacional, mostraram que essa ambivalência faz parte de qualquer processo de mudança e costuma aparecer justamente quando a mudança começa a ficar real.
Por isso a trava nada tem de preguiça ou de falta de força de vontade!
O que a resistência protege
Na psicologia, esse freio tem nome: resistência. E quase sempre ela cumpre uma função. Mudar de emprego pode significar perder uma segurança conhecida. Até mudanças desejadas, como ganhar mais visibilidade, podem ameaçar uma versão antiga de você que funcionou por muitos anos.
Uma forma de começar a escutar essa parte é completar, por escrito, uma frase simples: “Se eu mudar isso, posso perder…”. O que aparece depois das reticências costuma revelar muito mais do que qualquer lista de prós e contras.
Aceitar para poder mudar
Carl Rogers chamou atenção para um paradoxo curioso: a mudança tende a acontecer quando a pessoa consegue se aceitar do jeito que está. Enquanto toda a energia vai para brigar consigo mesma, sobra pouco para o movimento acontecer.
É desse lugar que parte o acompanhamento que ofereço: da sua experiência, do jeito que você a vive, sem pressa de empurrar a mudança.
Como a hipnose lida com a resistência
Na hipnose, a resistência é tratada como informação. Seguindo a linha de Erickson, a sugestão nunca chega como ordem. Ela respeita o ritmo da pessoa, convida, oferece possibilidades e deixa espaço para a recusa. Quando a parte que resiste se sente respeitada, ela tende a baixar a guarda por conta própria.
Aos poucos, fica mais fácil reconhecer recursos que você já tinha e experimentar a mudança em doses que o seu corpo consegue acompanhar.
A trava, afinal, mostra onde existe algo importante a ser cuidado, e escutá-la costuma ser o primeiro passo para atravessá-la.
Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?
Se você sente que existe um muro invisível impedindo a sua mudança e quer atravessá-lo com suavidade, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.
Ou conheça mais sobre o meu trabalho em: www.julianapupo.com.br.
Referências bibliográficas
HALEY, J. Terapia não-convencional: as técnicas psiquiátricas de Milton H. Erickson. São Paulo: Summus, 1991.
MILLER, W. R.; ROLLNICK, S. Entrevista motivacional. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.
ROGERS, C. R. Tornar-se pessoa. 6. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.






