Quando uma conta chega mais alta do que o esperado, ou quando o chefe manda um e-mail dizendo “precisamos conversar”, em poucos segundos vem a avalanche: demissão, dívida, a casa, a vergonha de explicar para a família. O peito aperta, você não enxerga mais nada na sua frente e só dá vontade de sumir debaixo do cobertor.
Detalhe: nada disso aconteceu. Mesmo assim, o corpo reage como se tivesse acontecido.
A esse movimento, a psicologia chama de catastrofização. A mente pega uma incerteza e desenha o pior final possível. E o cérebro não confere se o desastre é real ou imaginado antes de soar o alarme. O neurocientista Joseph LeDoux, da Universidade de Nova York, mostrou que a amígdala dispara a resposta de medo por um atalho mais rápido do que a parte do cérebro que pensa e avalia. Primeiro o corpo se prepara para o perigo. A análise chega depois (quando chega!).
Se o medo dura demais e não encontra saída, o sistema nervoso pode entrar em desligamento. A terapeuta Deb Dana descreve esse estado como um modo de economia em que o corpo se fecha para se proteger. Na prática, é ficar parada olhando para a tela, sabendo exatamente o que precisa fazer, sem conseguir mexer um dedo.
Você pode até pensar: “para de drama e resolve logo”. Só que pedir decisão rápida a um corpo em modo de sobrevivência é como pedir para alguém fazer contas enquanto foge de um incêndio. A bronca vira mais um perigo, e o alarme toca mais alto.
O que ajuda começa pequeno. Diga, em voz alta ou baixinho, o que está acontecendo aí dentro: “estou com medo, e meu corpo está tentando me proteger”. Parece pouco. Matthew Lieberman, pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles, observou em exames de imagem que dar nome à emoção diminui a atividade da amígdala. Nomear o medo cria uma pequena distância entre você e ele.
Depois, apoie os dois pés no chão e repare no peso do corpo na cadeira. Pergunte-se o que é fato agora, neste cômodo, nesta hora. Quase sempre a resposta é bem mais simples do que a história que a mente contou.
Por último, escolha uma única ação possível. Responder aquele e-mail, ou abrir a conta e só olhar o valor… Uma coisa concreta devolve ao corpo a sensação de que ainda existe chão.
Na hipnose, o medo é visto como algo que prende a atenção de um jeito parecido com um transe. E esse mesmo recurso da mente pode ser usado a seu favor. Com o tempo, o corpo pode aprender que dá para ficar atenta sem entrar em pânico.
Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?
Se você sente que o medo do que pode dar errado tem tomado conta dos seus dias, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.
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Referências bibliográficas
DANA, D. Ancorado: como fazer as pazes com seu sistema nervoso usando a Teoria Polivagal. Rio de Janeiro: Alaúde, 2025.
LEDOUX, J. O cérebro emocional: os misteriosos alicerces da vida emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.
LIEBERMAN, M. D. et al. Putting feelings into words: affect labeling disrupts amygdala activity in response to affective stimuli. Psychological Science, v. 18, n. 5, p. 421-428, 2007.





