E se eu perder o emprego? E se essa dor de cabeça for algo grave? E se eu esqueci de pagar aquela conta? E se ninguém gostar da apresentação de amanhã? E se, e se…
Uma pergunta puxa a outra, e quando você percebe, já passou meia hora vivendo um futuro que talvez nunca aconteça, com o corpo reagindo como se ele já tivesse chegado.
Uma mente que mora no futuro
O psicólogo Thomas Borkovec, da Universidade Estadual da Pensilvânia, foi um dos primeiros a estudar a preocupação de forma sistemática, ainda nos anos 1980. Ele descobriu que ela gira quase sempre em torno do que ainda vai acontecer, muito mais do que do passado ou do presente. E encontrou uma diferença marcante entre quem se preocupa muito e quem se preocupa pouco: os primeiros sentem que, depois de começar, simplesmente não conseguem parar.
Por que a preocupação insiste
Se a preocupação faz tão mal, por que ela insiste tanto? A terapia cognitivo-comportamental oferece uma resposta curiosa, desenvolvida pelo próprio Borkovec: a preocupação funciona como uma forma de evitar sentir.
Quem se preocupa costuma pensar no problema em palavras, numa espécie de conversa interna, com pouquíssimas imagens. Esse jeito abstrato de pensar diminui por um momento a reação emocional do corpo, e a pessoa ainda fica com a sensação de estar se preparando para o pior. O alívio é pequeno e passageiro, mas é suficiente para o cérebro aprender que vale a pena repetir. O problema é que, assim, o medo nunca é sentido por inteiro e nunca se resolve de verdade.
Um horário marcado para se preocupar
Pedir para alguém simplesmente parar de se preocupar quase nunca funciona. Por isso outra estratégia foi testada, que segue sendo usada na clínica até hoje: dar à preocupação um horário fixo.
Escolha um período de mais ou menos meia hora, sempre no mesmo lugar e longe da cama. Ao longo do dia, quando um “e se” aparecer, anote em poucas palavras e adie o pensamento para esse horário. Quando ele chegar, você pode se preocupar à vontade, e de preferência buscar soluções para o que tiver solução. No experimento original, quem praticou durante quatro semanas teve uma redução importante da preocupação diária. Muita gente percebe, quando o horário chega, que boa parte dos temas anotados já perdeu a força.
Voltar para o presente
Com o tempo, o objetivo é que a mente passe mais tempo na vida que realmente acontece. Na psicoterapia, dá para olhar com calma para os medos que a preocupação vinha evitando e entender de onde eles vêm.
A hipnose conversa bem com esse problema, porque trabalha com imagens e sensações do corpo, justamente a linguagem que a preocupação costuma evitar. Num ambiente seguro, o medo pode finalmente ser sentido, em vez de ficar rodando em palavras sem fim.
O futuro continua importante. Ele só não precisa ser o lugar onde você mora.
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Se a sua cabeça vive no futuro, veja como a psicoterapia pode ajudar você a voltar para o presente.
Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?
Se você sente que a ansiedade tem ditado o ritmo da sua saúde e quer voltar a viver com mais leveza, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.
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Referências bibliográficas
BORKOVEC, T. D.; ALCAINE, O. M.; BEHAR, E. Avoidance theory of worry and generalized anxiety disorder. In: HEIMBERG, R. G.; TURK, C. L.; MENNIN, D. S. (ed.). Generalized anxiety disorder: advances in research and practice. New York: Guilford Press, 2004. p. 77-108.
BORKOVEC, T. D. et al. Stimulus control applications to the treatment of worry. Behaviour Research and Therapy, v. 21, n. 3, p. 247-251, 1983.






