A forma como você começa o dia pode estar alimentando a ansiedade antes mesmo do primeiro café.
Sabe aquele momento em que você abre o olho e o braço já vai automaticamente em direção ao celular? Você nem decidiu fazer isso. O corpo simplesmente foi. E em menos de trinta segundos você já está dentro de notificações, comparações, notícias, opiniões de pessoas que você mal conhece.
O sistema nervoso ainda estava em transição entre o sono e a vigília, e você acabou de jogá-lo direto num turbilhão de estímulos que ele não pediu.
O que acontece no cérebro nesse momento
Ao despertar, o córtex pré-frontal (parte responsável pelo raciocínio, pelo foco e pela regulação emocional) ainda está completando sua ativação. Esse processo leva entre quinze e trinta minutos e é biologicamente necessário. Quando você interrompe essa transição com o feed, está pedindo para uma parte do cérebro que ainda não está totalmente online processar um volume alto de informação emocional.
O resultado prático é que o sistema de alerta assume antes do sistema de regulação estar disponível. Os hormônios do estresse sobem antes do primeiro café, e o tom do dia fica marcado por uma reatividade que vai durar horas, mesmo que você não perceba de onde ela veio.
Pesquisas recentes reforçam esse mecanismo com dados concretos. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Affective Disorders encontrou associação consistente entre uso de redes sociais e piora nos indicadores de saúde mental e qualidade do sono. Um estudo publicado no Frontiers in Psychiatry mostrou que uma hora de tela após deitar aumenta o risco de insônia em 59%. O corpo não separa o uso noturno do matinal, ambos afetam o mesmo sistema.
O que muda quando você protege os primeiros minutos
Reservar os primeiros quinze a trinta minutos do dia sem telas não é uma prática de bem-estar opcional. É dar ao córtex pré-frontal o tempo que ele precisa para estar disponível antes de receber demandas externas. Quando esse espaço existe, você chega às primeiras decisões do dia com um sistema nervoso que já teve chance de se organizar.
Deixar o celular fora do quarto elimina o momento de decisão, que é exatamente onde o hábito automático costuma ganhar. Quando você precisa se levantar para pegar o aparelho, o córtex pré-frontal já tem mais recursos para avaliar se aquilo é o que você quer fazer agora.
Quando esse padrão está muito consolidado e a sensação de precisar checar o celular chega com uma urgência que vai além do hábito, vale olhar para o que esse comportamento está regulando. O sistema nervoso autônomo usa comportamentos repetitivos para gerenciar estados de ativação que não encontraram outro caminho. A hipnoterapia ericksoniana trabalha especificamente nessa camada, acessando o padrão onde ele está armazenado e criando condições para que o sistema nervoso encontre outros recursos.
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Referências bibliográficas
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DANA, D. A Teoria Polivagal na Terapia. Porto Alegre: Artmed, 2019.
HJETLAND, G. J. et al. One hour’s screen use after going to bed increases your risk of insomnia by 59%. Frontiers in Psychiatry, 2025.
NEWSOM, R. Sleep and social media. Sleep Foundation, 2025. Disponível em: sleepfoundation.org
WORLD HEALTH ORGANIZATION. CID-11. Geneva: WHO, 2022.




