A resposta curta é sim, na maioria dos casos. A resposta completa depende de como essas crises aparecem, com que frequência chegam e do que o seu trabalho exige de você em cada dia.
Por isso vale entender o que acontece com o corpo quando a crise aparece no meio do expediente, e o que ajuda a atravessar esse período sem se perder pelo caminho.
Quando a crise chega no meio do expediente
Um e-mail aberto pela metade, a planilha na tela e, de repente, o peito aperta e a mente fica em branco. Nesse momento, o sistema de alarme do corpo assumiu o comando e desviou energia para a sobrevivência, deixando concentração e memória em segundo plano.
A neurocientista Amy Arnsten, de Yale, estudou de perto esse apagão. Basta uma pressão que pareça fora do nosso controle para as funções mais refinadas, como planejar e sustentar a atenção, perderem eficiência em pouco tempo. A queda de rendimento durante a crise não diz nada sobre a sua competência.
O trabalho como gatilho
Muita gente descreve o trabalho como uma sala de aula em que está sendo avaliada o tempo inteiro. Reunião, feedback, prazo e a possibilidade de errar passam a soar como ameaça para um sistema nervoso que já está sensível.
Carl Rogers ajuda a entender esse peso. Ele falava da consideração positiva incondicional, a experiência de ser aceito sem precisar merecer. O ambiente corporativo costuma funcionar pela lógica oposta, em que o valor de cada pessoa depende do resultado. Rogers também descreveu como a ansiedade cresce quando existe uma distância grande entre quem a pessoa é e quem ela sente que precisa parecer. Sustentar uma versão de si mesma por oito horas seguidas cobra um preço, e o corpo costuma ser o primeiro a apresentar a conta.
Um mapa dos seus gatilhos
Durante uma ou duas semanas, anote em poucas palavras quando a ansiedade aparece no trabalho: antes de reuniões, depois de uma mensagem da liderança, quando está sozinha com uma tarefa difícil, quando precisa falar em grupo. Aos poucos fica claro o que o seu corpo está interpretando como perigo.
O psiquiatra americano Milton Erickson defendia que tudo o que a pessoa traz, inclusive o sintoma, pode ser usado como recurso. Esse mapa segue a mesma ideia e transforma a ansiedade em fonte de informação. Uma pergunta que ajuda: se essa ansiedade pudesse falar, o que ela estaria tentando evitar para mim?
Quando parar faz parte do tratamento
Há momentos em que as crises estão fortes ou frequentes demais para seguir no mesmo ritmo. Nesses casos, uma pausa orientada funciona como parte da recuperação. No Brasil, o afastamento do trabalho por questões de saúde mental é um direito, e o caminho começa com uma avaliação de profissionais de saúde, que vão indicar o que o seu caso precisa.
Muitas pessoas temem que uma pausa manche a carreira. Na prática, o que costuma cobrar mais caro é seguir em colapso por meses, até que o corpo imponha uma parada que ninguém escolheu.
Trabalhar com mais segurança por dentro
A psicoterapia ajuda a entender o que o ambiente de trabalho desperta em você e a construir limites possíveis dentro da sua realidade. A hipnose, um estado de foco guiado em que você participa ativamente, entra junto e pode ajudar o sistema nervoso a atravessar reuniões e prazos com menos alarme e mais presença.
Carreira e cuidado com a saúde podem caminhar juntos, e o seu melhor trabalho costuma aparecer quando o corpo deixa de viver em modo de defesa.
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Se a ansiedade tem atrapalhado o expediente, conheça o atendimento para ansiedade, presencial em Campinas ou online.
Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?
Se você sente que a ansiedade está sabotando o seu potencial profissional e quer voltar a trabalhar com mais tranquilidade, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.
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Referências bibliográficas
ARNSTEN, A. F. T. Stress signalling pathways that impair prefrontal cortex structure and function. Nature Reviews Neuroscience, v. 10, n. 6, p. 410-422, 2009.
HALEY, J. Terapia não-convencional: as técnicas psiquiátricas de Milton H. Erickson. São Paulo: Summus, 1991.
ROGERS, C. R. Tornar-se pessoa. 6. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.






