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Psicóloga Clínica e Hipnoterapeuta em Campinas | Juliana Pupo

Por que reagimos tão mal a coisas tão simples?

As memórias emocionais moldam nossas reações automáticas e o sistema nervoso não distingue passado de presente.

Alguém faz um comentário banal no trabalho e você sente o peito apertar. O trânsito atrasa dez minutos e a cabeça já vai para o pior cenário possível. Um tom de voz errado e o corpo reage com uma intensidade que não combina com o que está acontecendo.

A pergunta que ninguém faz em voz alta é: por que coisas tão pequenas chegam com tanta força?

A resposta não está no presente. Ela está lá atrás.

O seu cérebro não arquiva o passado como você pensa

A amígdala, estrutura central no processamento emocional, não raciocina sobre o tempo. Ela compara o que está acontecendo agora com padrões que registrou antes, e se o padrão bate o alarme dispara, mesmo que a situação atual seja completamente diferente da original.

As experiências emocionais intensas ficam armazenadas no corpo, e não só na memória consciente. É por isso que você pode não lembrar de um episódio específico da infância e ainda assim reagir com uma intensidade que não tem explicação racional para o que está na sua frente. O sistema nervoso está sendo fiel ao que aprendeu, e isso faz toda a diferença na forma de olhar para as próprias reações.

Quando a proteção vira prisão

Esse mecanismo existe para proteger. O problema aparece quando ele se torna tão sensível que qualquer estímulo parecido com algo doloroso do passado já aciona o modo de alerta. O sistema nervoso autônomo avalia ameaças de forma contínua e automática, abaixo do nível da consciência, antes de qualquer avaliação racional, num processo que Deb Dana descreve como neurocepção.

Na prática, isso aparece como tensão constante, autocobrança que não dá trégua, dificuldade de receber crítica, ou aquela sensação de estar sempre na defensiva sem saber bem por quê. O piloto automático assume antes mesmo de você ter chance de escolher.

As emoções não são só experiências subjetivas que passam pela cabeça. São sinais corporais que guiam decisões e comportamentos, como António Damásio documentou ao longo de décadas de pesquisa. Quando esses sinais estão calibrados por experiências difíceis que não foram processadas, as escolhas e reações do dia a dia ficam filtradas por um passado que já não corresponde à realidade atual.

O que ajuda a reorganizar esse padrão

Regulação não significa não sentir. Significa ampliar a janela do que você consegue sentir sem ser dominada pela resposta automática.

Uma prática que ajuda especificamente nesse momento é pausar antes de reagir. Quando você percebe que a intensidade do que está sentindo não combina com o que está acontecendo, esse reconhecimento já é o primeiro movimento. Não para suprimir a reação, mas para criar um segundo de distância entre o gatilho e a resposta automática. É nesse espaço pequeno que começa a possibilidade de escolher diferente.

Nomear em voz baixa o que está sentindo, “estou com raiva”, “isso me assustou”, ajuda a criar essa distância. Nomear a emoção reduz a ativação da amígdala de forma mensurável. Você não precisa entender de onde vem a reação para isso funcionar.

Essas práticas ajudam no momento agudo. Quando o padrão é antigo e está enraizado no corpo, um processo terapêutico estruturado é o que cria mudança real.

Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?

Se você sente que suas reações chegam com uma força que não combina com o que está acontecendo, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.

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Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5. ed. text rev. Washington: APA, 2022.

DANA, D. A Teoria Polivagal na Terapia. Porto Alegre: Artmed, 2019.

DAMASIO, A. O Erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LEDOUX, J. Anxious: Using the Brain to Understand and Treat Fear. New York: Viking, 2015.

LIEBERMAN, M. D. et al. Putting feelings into words. Psychological Science, v. 18, n. 5, p. 421–428, 2007.

VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. São Paulo: Sextante, 2020.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. CID-11. Geneva: WHO, 2022.

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