O coração acelera do nada e o seu corpo inteiro tensiona. Você não sabe bem por que, só sente que algo está errado e que deveria conseguir controlar isso, mas não consegue. Essa sensação de descontrole é exatamente o que a maioria das pessoas descreve quando vem me procurar.
Há anos vejo isso em pessoas muito capazes, que se culpam por não conseguir simplesmente relaxar ou parar de se preocupar. Quando você está nesse lugar, quero que saiba de uma coisa que a neurociência já confirmou: seu corpo está seguindo um arquivo, uma resposta que aprendeu ao longo da vida e que agora consulta automaticamente, acreditando que está te protegendo.
O que está acontecendo dentro de você
Deb Dana, que levou a Teoria Polivagal para dentro do consultório, descreve o sistema nervoso como um vigia que nunca tira folga. Ele observa o tempo todo o que acontece fora e dentro do corpo, e quando algo lembra uma ameaça, mesmo que de longe, muda as prioridades na hora: a digestão para e os músculos ficam tensos, prontos para agir.
Bessel van der Kolk mostrou que essas respostas automáticas não vivem só no pensamento. Elas ficam registradas no corpo como memória, como um arquivo que o sistema nervoso consulta o tempo todo, muito antes de qualquer avaliação consciente.
É por isso que, quando você tenta se convencer racionalmente de que tudo está bem, uma parte de você simplesmente não acredita. Ela está acessando informações que sua mente consciente nem consegue nomear. Entendeu por que você não controla?
O que você pode fazer agora
Se o corpo aprendeu a ficar em alerta permanente, ele também pode aprender novos caminhos, sabia? Só que não adianta ter força de vontade ou pensamento positivo para isso, porque esses recursos não falam a língua que o sistema nervoso entende. Ele responde a imagens e sensações.
Antes de continuar, um teste rápido. Apoie as costas na cadeira e deixe o ar sair pela boca bem devagar, mais longo do que entrou, umas cinco vezes. Depois diga por dentro o nome do que está sentindo, só a palavra, como medo ou aperto. A saída longa do ar é a parte da respiração que freia o coração, e dar nome à emoção ajuda o cérebro a baixar o volume do alarme.
Isso alivia o momento, e alívio já é muita coisa. Só que uma resposta que o corpo repete há anos não muda com cinco respirações.
Onde a hipnose chega
A hipnose trabalha onde a respiração sozinha não chega. Em foco hipnótico, dá para revisitar respostas que o corpo aprendeu ao longo de anos e oferecer a ele outras saídas, numa linguagem que ele aceita sem precisar ser convencido.
Kimberly Valentine e sua equipe cruzaram os dados de vários estudos sobre hipnose e ansiedade, e a balança pendeu a favor da hipnose. De fora pode parecer mágica, porque a mudança acontece por um caminho que a consciência não acompanha passo a passo. De perto, é trabalho clínico com o corpo.
O que faz diferença de verdade é contar com acompanhamento para mexer nessas respostas com segurança, respeitando o tempo do seu corpo e usando o que funciona especificamente para a forma como você foi construída. Entenda como funciona a hipnose.
Se você já entendeu tudo e mesmo assim o corpo não obedece, veja como eu trabalho com ansiedade no consultório.
Vamos descobrir juntas o que está travando o seu caminho?
Se você sente que já entendeu tudo sobre a sua ansiedade e mesmo assim o corpo não obedece, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.
Ou conheça mais sobre o meu trabalho em: www.julianapupo.com.br.
Referências bibliográficas
DANA, D. Ancorado: como fazer as pazes com seu sistema nervoso usando a Teoria Polivagal. Rio de Janeiro: Alaúde, 2025.
VALENTINE, K. E. et al. The efficacy of hypnosis as a treatment for anxiety: a meta-analysis. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, v. 67, n. 3, p. 336-363, 2019.
VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas: cérebro, mente e corpo na cura do trauma. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.





