Pular para o conteúdo principal

Juliana Pupo | Psicóloga e Hipnoterapeuta para saúde e equilíbrio emocional

Neurociência da Ansiedade: Entenda seu corpo e tome o controle

O que a ciência explica sobre porque seu corpo reage antes mesmo de você decidir qualquer coisa.

O coração acelera do nada. O corpo inteiro tensiona. Você não sabe bem por que, só sente que algo está errado e que deveria conseguir controlar isso, mas não consegue. Essa sensação de descontrole é exatamente o que a maioria das pessoas descreve quando vem me procurar.

Há anos vejo o mesmo padrão: pessoas muito capazes, inteligentes, que se culpam por não conseguir simplesmente relaxar ou parar de se preocupar. Quando você está nesse lugar, quero que saiba de uma coisa que a neurociência já confirmou: seu corpo está seguindo um arquivo, um padrão que aprendeu ao longo da vida e que agora consulta automaticamente, acreditando que está te protegendo.

O que está acontecendo dentro de você

Deb Dana, ao traduzir a Teoria Polivagal para a clínica, explica como o nervo vago funciona como um sistema de comunicação constante entre o cérebro e os órgãos internos, coração, pulmões, intestino. Quando o sistema nervoso percebe algo que interpreta como ameaça, qualquer coisa que acione esse padrão aprendido, ele redireciona toda a energia do corpo: a digestão para, o sangue abandona as extremidades, os músculos ficam tensos e prontos para agir.

Bessel van der Kolk mostrou algo que muda completamente a forma de entender a ansiedade: essas respostas não vivem só no pensamento. Elas ficam registradas no corpo como memória, como um arquivo que o sistema nervoso consulta o tempo todo, muito antes de qualquer avaliação consciente.

É por isso que quando você tenta se convencer racionalmente de que tudo está bem, uma parte de você simplesmente não acredita. Ela está acessando informações que sua mente consciente nem consegue nomear.

O que você pode fazer agora

Se o corpo aprendeu a ficar em alerta permanente, ele também pode aprender novos caminhos, sabia? Só que não adianta força de vontade ou pensamento positivo para isso, porque esses recursos não falam a língua que o sistema nervoso entende. Ele responde a padrões, associações, imagens, estados corporais.

Antes de um momento importante, existe algo que funciona rápido e tem respaldo científico. Sugiro que você pratique um pouco de respiração consciente e inspire contando quatro segundos, segurando dois, e expirando em seis. Repita durante alguns minutos e você ativa o nervo vago, avisando ao sistema que o perigo passou. Ao mesmo tempo, coloque atenção nos pés em contato com o chão e nomeie em voz baixa o que está sentindo no corpo. Lieberman et al. mostraram que nomear a emoção reduz a ativação da amígdala de forma mensurável, literalmente baixa o volume da resposta emocional.

Essas práticas trazem alívio real no momento agudo. Quando a ansiedade é antiga, quando tem raiz funda e você carrega esse padrão há anos, elas regulam a intensidade mas não tocam na origem do que foi aprendido.

Onde a hipnose chega

A hipnose ericksoniana trabalha exatamente onde a respiração sozinha não chega. Em foco hipnótico, é possível acessar os padrões que foram consolidados ao longo de anos e ressignificá-los de uma forma que o corpo compreenda e aceite, sem depender do esforço racional que, como já vimos, não tem acesso a essa camada.

Pesquisas publicadas no American Journal of Gastroenterology documentam a eficácia da hipnose em síndrome do intestino irritável com resultados que se mantêm meses e anos depois. A boa notícia é que para ansiedade situacional, os benefícios são igualmente sólidos. Parece mágica porque os resultados aparecem por um caminho que a consciência não acompanha passo a passo, mas o que está acontecendo é uma conversa muito precisa com a parte do seu sistema nervoso que nunca para de trabalhar!

O que faz diferença de verdade é ter alguém que te ajude a acessar esses padrões de forma segura, respeitando o tempo do seu corpo e usando o que funciona especificamente para a forma como você foi construída.

Se você reconhece isso em você

Se seus sintomas de ansiedade aparecem justamente quando você mais precisa estar inteira, e você quer recuperar esse espaço de clareza e leveza, eu adoraria te acompanhar nessa jornada de descoberta.

[Clique aqui para agendar uma conversa comigo]

Ou conheça mais em:

www.julianapupo.com.br

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5. ed. text rev. Washington: APA, 2022.

CRAIG, A. D. How Do You Feel? An Interoceptive Moment with Your Neurobiological Self. Princeton: Princeton University Press, 2015.

DAMASIO, A. O Erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

DANA, D. A Teoria Polivagal na Terapia. Porto Alegre: Artmed, 2019.

LEDOUX, J. Anxious: Using the Brain to Understand and Treat Fear. New York: Viking, 2015.

LIEBERMAN, M. D. et al. Putting feelings into words. Psychological Science, v. 18, n. 5, p. 421–428, 2007.

PALSSON, O. S. et al. Hypnosis treatment for irritable bowel syndrome. American Journal of Gastroenterology, v. 97, n. 3, p. 620–627, 2002.

SIEGEL, D. J. The Developing Mind. New York: Guilford Press, 2012.

VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. São Paulo: Sextante, 2020.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. CID-11. Geneva: WHO, 2022.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *